Repórter da Globo se aposenta e culpa insegurança nas ruas

Com 71 anos, Tonico Ferreira ainda tinha mais dois anos de contrato para cumprir na Globo, chegando a quase 40 trabalhando na emissora, mas saiu em abril. Em entrevista para o jornal Folha de S.Paulo, ele revela que a parte pessoal pesou em sua decisão, mas também o pesado clima político e a agressividade contra os jornalistas em coberturas.

Em 2015, quando cobria a prisão do ex-ministro José Dirceu, o jornalista lembra que ouviu muitas pessoas xingando a imprensa, especialmente a Globo, e colocando cartazes na frente de jornalistas. Esse foi um dos fatos que motivou sua saída prematura da televisão.

“Fui muito importunado quando cobri a prisão do Zé Dirceu. Havia um pessoal do PT que até me conhecia. Eu disse: ‘Gente, por favor, deixa só a gente entrar ao vivo’. Quando entrei no Jornal Nacional, colocaram cartazes. Eu tentava falar e não paravam de gritar”, disse.

Com o fim das eleições, Tonico ainda cita o caso da repórter da Folha ameaçada nas redes sociais após revelar que empresários impulsionavam disparos a favor de Bolsonaro e contra o PT durante a campanha eleitoral. Ele considera que a agressividade das pessoas contra os jornalistas tira o prazer da profissão.

“Nos últimos tempos, toda manifestação é um problema de segurança para os jornalistas, principalmente de TV. Pode ser do Bolsonaro, do PT, é pressão enorme para as equipes na rua. O ambiente não é bom e sofremos com isso. É chato trabalhar assim, todo mundo bate em você. A sociedade está dividida, raivosa, e os jornalistas são intimidados”, afirma Tonico.

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